Amigos, está sacramentado que a democracia é o menos pior dos sistemas. Estudamos isso, e é com esta verdade que a América tenta libertar os ‘oprimidos’ do mundo, nem que seja sob o fogo de suas bombas e conspirações. Mas, não obstante a falta de opções, nada custa analisar a democracia capitalista, pelo menos nos moldes desta, encontrada por aqui.
Vivemos uma sociedade legitimamente opressora, que exerce o poder através da MAIORIA. Esta massa vencedora é pretensamente quem governa, e vive cantada em versos, cada vez que exerce sua plena LIBERDADE, sua cidadania, nos colegiados, nos conselhos e nas eleições. Essa fração soberana costuma se chamar 50% mais 1, num esquema analiticamente simplificado, mas repleto de sentido estrutural. Exatamente este é a retrato aritmético do poder: 50% + 1.
Quando dispomos assim os dados, logo somos iludidos a crer que uma fina ‘camada’ permite a àquela classe eterna (49%) derrotar a outra (49%), pois o fiel da balança seria 1% mais 1, facilmente conquistável por ambas as partes. Então corremos às eleições – vamos vencer a elite! Doce ilusão esta. O topo da pirâmide é finíssimo, a base é enorme.
O problema tão complexo é historicamente elucidado à medida que olhemos pela ótica de Celso Furtado, quando ele assevera que “O Brasil é uma criação do Estado português. Não se trata de uma sociedade que construiu um Estado e sim de um Estado que constituiu uma sociedade.” E não seria difícil concordar com ele, através de nossa noção prática das coisas.
Porém, que sociedade “construída” é essa? Seria possível forjar uma sociedade inteira? Não seria algo grandioso demais? E, em um cruzamento truncado de variáveis, entendemos que garantir o controle nas mãos do 1% mais 1 foi um golpe de inteligência maquiavélica. Esta minoria iluminada, “fiel da balança”, é o topo da cadeia alimentar, segundo a antropofagia oswaldiana, e o topo da pirâmide, na visão marxista.
Pois então: ao contrário do que se pensa, o desafio da tirania minoritária é manter cativo os 49% que lhe falta, para constituir a democrática MAIORIA – e travestir-se de POVO.
Aí também se entende porque a Educação básica é um embuste para os pobres, mas oferece privilégios estratégicos para o 1% mais 1, que domina, enquanto a Educação Superior, onde esteve concentrado o gasto e a qualidade, manteve secularmente filtros que impedem o ingresso dos malformados na base discriminatória: é preciso ‘cozinhar’ os 49% (no mínimo), para contar com eles na sustentação de uma democracia à la portuguesa. Na Educação Básica são separados os eleitos para dominar e os predestinados a serem dominados.
Mas, como essa MINORIA se mantém por tanto tempo? Seria natural o governo dos melhores?
Você já ouviu falar em financiamento PRIVADO de campanhas políticas? Já ouviu dizer que a mídia brasileira está a serviço do capital? Então, anote a sentença: a maioria NUNCA será livre para influenciar nas decisões públicas, enquanto não houver uma verdadeira refoma política, porque a primeira providência do império é garantir que o poder seja refém do DINHEIRO, e zelar para que o dinheiro fique nas mãos de só 1% da Nação.