Amigos, por mais que o intelecto mínimo me permita entender as leis da Economia, como os conceitos de demanda, lucro, a ‘grande mão’ etc, há disparidades que ferem o meu senso. Acabei de passar à frente de um tradicional restaurante, onde li: “Moqueca de lagosta, R$ 140”. E, de volta ao canal de notícias, a manchete reitera o que já tenho acompanhado em relação à fome na África. A reportagem dá conta de que a ONU alerta para “a grave situação de milhares de pessoas passando fome na Somália”.
Triste ironia é que muitos estão fugindo, com a pouca energia que lhes resta, para a Etiópia. Vejam que esta Nação, ora recorrida como ‘socorro’, é uma das mais devastadas pela miséria, na história contemporânea daquele continente. A crise é tão aguda que a Etiópia acaba sendo refúgio!
Calculo que, ao câmbio do dia, a tal moqueca de lagosta custa 88 dólares, quando, na Samolália, na Etiópia e na Tanzânia, 70% da população sobrevive com menos de 30 dólares por mês! Nesse cenário, a fome é apenas uma tragédia coadjuvante.
Na África Subsaariana, há cerca de 100 milhões de órfãos, em sua maioria vitimados pelas guerras civis, exploração desumana do trabalho, por doenças tropicais já erradicadas dos países ricos e, principalmente, pela AIDS.
Só podemos concluir que a Economia, sendo um mecanismo configurável ao alvedrio dos interesses meramente mercantilistas e consumistas dos Países ricos, no mínimo, tem se configurado numa indústria de sofrimentos humanos.
Aqui no nosso cotidiano, quem leva o pão à boca, sem meditar sobre a própria obrigatoriedade humana de se posicionar criticamente contra essas desigualdades, está sendo omisso e egoísta. Não existe ética social nem religiosa que abrigue sujeitos insensíveis à desgraça de irmãos, apenas porque entre nós há um Oceano de distância.
Ainda, hoje, ao meu lado, vi um fiel que orava baixinho: “Senhor, obrigado por essa refeição”. Eu incluiria nessa comunicação com Deus: “Senhor, divida nossa fartura com os que não têm.”
Isso deve ser dito, orado, conclamado a todos os cantos, em todo o tempo. Por uma divisão justa das possibilidades e oportunidades socioeconômicas.