“O meio ambiente em Búzios não é uma prioridade. Já foi um dia, mas hoje não é. Basta passear pela Cidade e ver no que ela se transformou. (…) Acho isso totalmente compreensível, porque as pessoas estão lutando para sobreviver, e o caminho econômico da Cidade é o da construção civil. Assim é natural que a preservação ambiental até atrapalhe. Na realidade, esse modelo econômico é que precisa ser mudado, precisamos acabar com essa história de que o nativo tem que ser pescador ou trabalhar no turismo. (…) Não devemos negar ao jovem buziano o direito à informação, ou estaremos, condenando todos à exclusão social. (…) A população de Búzios está morrendo mais cedo porque os jovens estão se acabando nas drogas, por pura falta de opção. Ao invés de mandar matar, é preciso ensinar a viver. Para preservar o ambiente é preciso primeiro investir na educação do ser humano. (…).”
* Fala do nobre senhor Carlos Muniz, perguntado se Búzios é uma cidade preocupada com o meio ambiente.
Observando-se o panorama sócio-político de nossa cidade, nota-se que padecemos da insuficiência de horizontes. Parece que nossa forma geográfica de península, cuja perspectiva espacial se esgota, literalmente, “na praia”, frente ao “intransponível”, se incute no ser “buziano”, em seu modus vivendi.
O futuro de nossa identidade, a exemplo, é dúbio e temeroso; o futuro turístico, tanto quanto. Pois o objeto maior de nossa eminência, a beleza, se denigre por obra e omissão da má gestão dos recursos naturais. Mas, salvo a esterilidade criativa de um governo que à sua própria insuficiência homologa, por meio de vereadores “sob encomenda”, há ainda uma última esperança: o voto.
Quanto aos limites psicológicos do horizonte, podemos sublimá-los, remetendo-nos ao esplendor das ilhas britânicas, à ética e perseverança da gente nipônica; e considerar que horizontes se constroem com a força interior do homem; o poder das microdecisões é pai dos tantos outros conseqüentes poderes; ninguém seria déspota sem a condescendência do povo, ou sem a conveniência de um grupo de homens iludidos e antidemocratas.
O sol pode nascer para Búzios não ao fadado leste de nossos delimites, mas um bom futuro emana de nossa acuidade premonitiva; o poder pode ser concebido e concedido a partir da simples consciência de dignidade humana. Então o oceano vasto apenas suporá as grandezas que podem haver além do cotidiano mesquinho de nossa política fundo-de-quintal. Afinal de contas, nos bronzeamos sob o mesmo sol inspirador do Japão. ▓



