Em essência, toda educação deveria ser “ambiental”, toda ecologia deveria ser “humana” e todo turismo deveria ser “ambiental”. Mas o princípio da especialização doutrinária, em voga no ambiente pós-cartesiano, fragmenta, disseca, e consequentemente, aplica um pendor reducionista a qualquer grandeza. ¿Estaria o homem a construir um mundo para receber alienígenas?
Chego a concluir que, depois dos grandes avanços científicos dos dois últimos séculos, estamos cá a aplicar o ritmo da superfluidade à crescente subdivisão acadêmica de ramos cientícos já delineados, resguardando-se, obviamente, o que deveras chega com ineditismo.
A esse respeito (ou quase), reproduzo abaixo um artigo de Eduardo Tessler, colhido no blog “muitas bocas no trombone”.
A política do descartável
O modo de vida americano está contaminando o mundo. Não bastassem os fast-foods que já tomam conta dos principais pontos turísticos do mundo – sem o charme da comida local – agora o que já se destaca até no Brasil é a política do “Estragou? Joga fora e compra outro”.
As intermináveis filas para a compra do iPhone 3G, no último fim de semana, deixaram claro que a sedução pelos gadgets sobrevive até às maiores crises econômicas. Em apenas três dias a Apple vendeu um milhão de unidades, em mais de 20 países. Um milhão!!! A primeira versão do iPhone, lançada no ano passado, também virou febre, gente passando dois dias nas filas, mas precisou de 74 dias para chegar ao primeiro milhão.
Um milhão é marca para não deixar dúvidas. É como se de repente toda a cidade de Campinas comprasse o aparelho celular, um para cada habitante.
Verdade que o iPhone é mais que um simples celular: é máquina fotográfica, agenda eletrônica, MP3, MP4, e serve até para se fazer uma chamada. Detalhes: o iPhone não tem manual de instruções, tudo é auto-explicativo.
A previsão é que essa maquininha chegue ao Brasil até o final do ano, possivelmente quando a marca já tenha ultrapassado os dois os três milhões de unidades. Mas o Brasil já recebe, enquanto isso, a política do descartável. Não existe mais, por exemplo, as lojas que consertam guarda-chuvas, que até o fim do século se encontravam nas grandes cidades. Afinal, um guarda-chuvas novo sai por R$ 5, até por menos.
Na semana passada o zíper de minha mala preferida enguiçou. Isso é normal, tamanho o descaso com que as companhias aéreas tratam da bagagem do passageiro nos vôos. Pois fui até o sapateiro – outra profissão em desuso pela política do descartável – e solicitei o serviço. Por sorte pedi um orçamento antes de autorizar o trabalho: R$ 60. Pechinchei um pouco e o profissional argumentou que não havia jeito de baixar o preço, que o custo do material isso, o gasto de aluguel aquilo, que a energia elétrica subir, essas coisas.
Pois não autorizei. Recolhi minha mala de fecho estragado e fui até o supermercado comprar comida. De passagem pela área de bolsas e viagens, me deparei com uma mala semelhante à minha, Made in China. Preço: R$ 39,80! Ou seja, fiquei com uma mala toda nova e ainda economizei R$ 20…
Essa política do descartável faz com que nos EUA o cidadão sequer pense em trocar a bateria de seu relógio de pulso. Terminou? Joga fora o relógio inteiro e compra outro. Experimente jantar na casa de um americano típico. Os pratos são descartáveis, os talheres também, os copos idem. A comida? Comprada pronta, requentada no microondas. Sobremesa de supermercado. E toalha de papel. Ou seja, tudo descartável, sem o menor toque pessoal.
Nessa onda do descartável, só quem sofre é o meio ambiente. Afinal, onde reciclar essa quantidade de lixos de todos os tipos?
Semana passada derreteu o glacial Perito Moreno na Antártida, em pleno inverno. Tem pingüins passeando pelas praias do Rio Grande do Sul. O Urso Polar já não é o único ser vivo do Pólo Norte. Tudo está mudando. Tem até filas quilométricas para se comprar iPhone 3G!
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