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Abortos

Eu sou principalmente contra o aborto pós-parto; aquele que estagna a manutenção de um direito já sentido, já semivivido. Sou contra o aborto transmitido aos 3 anos e consentido aos 15, por uma educação desumanizadora e pela sociedade desalmada, atroz, que não ensina o justo querer, o equilíbrio holístico entre vontade e necessidade.

Sou contra o abortivo desligamento entre as pessoas e a natureza, que, no fundo, é retirar os filhos dos braços de sua mãe. Quanto a isso, vivo me esquivando dos bisturis genéricos e ostensivos.

Sou contra. Luto contra. Combato esses suaves e deletérios abortos do jovem no pico narcótico, nos volantes e punhos da morte. Aborto de ventres intoxidados pelas drogas alimentícias, agrotóxicos, conservantes e ultrajantes, licenciadas pela insana guerra da busca ao lucro, para financiar a… longevidade!

Sou contra o assassínio do homem exaurido nas grades do trabalho, cuja exploração o impede de também nascer para o autoconhecimento.

Sou contra o aborto da arte inata no gesto do menino mestiço, que o impede de sentir-se menino negro apenas com menos melanina. Porque matar a arte é extinguir o abstrato elo entre o ser e o mundo, e o ser em si é apenas este sugesto abstrato, sem moeda e sem cor.

Sou contra o aborto das capacidades críticas, das possibilidades místicas sensatas e ecológicas; contra a prisão estereotípica em padrões comportamentais e estéticos.

Meu ofício é o combate ao aborto pela inanição e pela pseudonutrição, causadas na insolência do poder excludente, que opta por lucrar na doença em vez de promover a gratuita saúde.

Pensando bem, sou contra o aborto dos nossos idosos! Nas filas, nas ermas cadeiras esfiapadas dos sanatórios e des-abrigos; eutanásias mudas nos olhos pasmos, abandonados pelos abortos-vivos da revolução sexual.

E sou contra tudo isso, para então proteger o feto.

Búzios, 12/10/2009

Amigos, fiquei extremamente entusiasmado ao assistir à explanação do nobre sr. Chris Jordan, fotógrafo dedicado e profundo em sua perspicaz instrospecção humanista… É da mais  refinada ecologia humana! Constrange nossa insensibilidade, pela retórica bem articulada, que de modo límpido se comprova diante do raciocínio. Imposível deixar de ver!

 Parte 1:

 

 Parte 2:

 

Apesar de ter encontrado nestes anos recentes algumas mentes reflexivas na América, como os autores de polêmicos documentários e alguns esquerdistas, poucas vezes tive conhecimento de um tão elevado humanismo, e espero que cá mesmo entre nós tiremos boas conclusões do fotografismo de Chris Jordan.

Menino Voador … ||  tenho a obcessão artística de “deter” a infância, pelo menos enquanto não formamos seres humanos melhores do que nós… e passo mesmo a vida intervindo nos hábitos dos “meninos-homens”, do menino utópico que eu mesmo sou… infâncias que escaparam aos humanistas de outras épocas – os “urbanologistas” – e não “ecologistas de Homens”, como a vida requer…

.|| meninos voadores ||.

…esta imagem tem tal simbologia: de uma intensão que subtrai o “peso do ser”, que o detém no momento de uma “verdade”… e lhe diz, à semelhança de Saint-Exupéry, “o essencial à vida é invisível aos olhos”… || … ¿ os meninos entenderão, se lhes tolhemos a acessibilidade ao corpo, à língua, à cultura? …mas acautelo que assim mesmo continuemos a ser os iconoclastas contra a leviandade divinizada, contra o consumismo, contra a guerra de cada dia…. sejamos os “loucos” a dizer que o “essencial à vida é invisível aos olhos”

OUTRAS IMAGENS DA GALERIA

OqueHáDeMaisProfundoNaLuz

|| Jaz “pesando” nesses ombros mudos o fardo da vida, a experiência, um “ethos” relegado ao esquecimento social, em razão do esquecimento “de si”, típico de nossa cultura irreflexível… || O idoso é o “vetor” da cultura, a ponte entre gerações. Lamentável que a modernidade os trancafie nos preconceitos da idade, que desligue o “umbigo” entre gerações… || … penso num projeto de um “Lar de Convivência Senoinfantil”, onde idosos e crianças conviveriam assistidas, permitindo assim um encontro de histórias, e um semear de cultura nas novas “terrinhas” férteis e órfãs… ||

http://www.flickr.com/photos/furta-cor (click em alguma para ir ao flickr)

mar.que.balança.suavemente.as.cores

… Aqui, uma mostra da Búzios-aldeia que impregna nossas memórias e nossos genes; todo buziano tem um “quê” da negritude, da exploração e da alienação… || … não vejo formas de redimir “futuros”, sem que se dê ao povo o “conhecer” de seu passado – remota é a porta de entrada da cultura, e esta, sem dúvida, seria uma forma de promover o respeito à natureza e ao meio social. ||

Que o novo ano despontando adiante seja fecundo de percepções novas, de humanidades afloradas e sensíveis. Colo aqui abaixo um poema, hino da indignação de Pablo Neruda, contra a hipocrisia e os males da guerra.

Almeria

Um prato para o bispo, um prato triturado e amargo,
um prato com restos de ferro, com cinzas,com lágrimas, um prato submerso, com soluços e paredes caídas,
um prato para o bispo, um prato de sangue da Almeria.

Um prato para o banqueiro, um prato com caras
de meninos do Sul feliz, um prato
com detonações, com aguas loucas e ruinas e espanto,
um prato com eixos partidos e cabeças pisadas,
um prato negro, um prato de sangue da Almeria.

Cada manhã, cada manhã turva de nossa vida
o terás fumegante e ardente na vossa mesa:
o afastarás um pouco com vossas suaves mãos
para não ve-lô, para não digeri-lo tantas vezes:
o afastereis mais um pouco entre o pão e as uvas,
a este prato de sangue silencioso
e que estará alí, cada manhã, cada manhã.

Um prato para o Coronel e a esposa do Coronel,
numa festa da guarnição, em cada festa,
sobre os juramentos e os cuspes, com a luz de vinho da madrugada
para que o vejais tremendo de frio sobre o mundo.
Sim, um prato para todos vós, ricos daqui e de lá, embaixadores e ministros, comensais atrozes, senhoras de confortável chá e pronuncia:
um prato destroçado, transbordado, sujo de sangue pobre,
para cada manhã, para cada semana, para jamais,
um prato de sangue da Almeria, diante de vós, sempre.

De Pablo Neruda

Muito do que há, às vezes, incidentalmente, em Vinicius, está extremamente relacionado às subjetividades “espirituais” de sua ecologicidade humana. A intenção de “inserir-se” no mundo, respeitando seu “bem” e revolucionando seu “mal”; a profunda humildade de reconher o pequeno, mas significante, papel da genialidade, diante dos problemas humanos…

Tanto Vinicius, quanto Ganzaquinha e Chico, são almas que duelaram com a língua, se mantiveram fingindo-se de mortos no meio da “elite” autosuficiente, e de lá disparando suas farpas contra a opressão, a fim de dizer ao povo: “estamos cantando coisas a vosso respeito!”… E a tragédia é que a parca educação dessa gente inviabilize o autoconhecimento… Então, “¿como mudar-me, se agora mesmo não sei quem sou?”.

Eis, em Vinícius, um homem que “sabe bem quem é!” Que se plante esta semente no coração das mutidões. A começar por nós mesmos, pelos nossos pequenos, nossos amigos e inimigos.

Estava eu lá, passeando pela Europa portuguesa/hispânica, analisando as novas tendências sociais do velho continente, e deparei-me com um blog (http://pt.novopress.info) de forte conteúdo identitarista – o “identitarismo” é mesmo isso que transcrevo aqui adiante, vindo do moderador (?) daquele blog :

“O movimento identitário na Europa visa, básicamente, o estritar de laços dos Povos com a sua Terra, o objectivo final é a nossa sobrevivência neste mundo globalizado e para nós isso passa pela preservação do nosso legado etno-cultural. Saudações Europeias.”

Concordo. E digo, ainda, que o nosso pensamento sobre cultura e história buzianas comunga desses postulados básicos. O que diferencia meu “identitarismo” do movimento de lá é a questão da perspectiva: eles são “vencedores”, nós somos os “vencidos”! Os nossos pretos estão descendo dos morros, confrontando a society, e os congoleses atravessam vorazmente o Gibraltar. A Justiça é a única resposta capaz de aplacar a violência. Mas, leiam o seguinte trecho de notícia, do dia 24 de julho de 2008, veiculado naquele mesmo site:

Um polémico “pacote” legislativo para combater a imigração clandestina foi hoje aprovado por ampla maioria na câmara alta do parlamento italiano. Esta legislação é criticada pela esquerda, associações católicas e de defesa dos direitos humanos, bem como por algumas instâncias europeias.

A imigração clandestina passa a ser crime punível com uma pena de seis meses a quatro anos de prisão, são agravadas em um terço as penas dos reincidentes, as expulsões ficam mais facilitadas e os proprietários de estabelecimentos que alojem ilegais incorrem em seis meses a três anos de cadeia. A duração da estada dos clandestinos em centros de acolhimento pode ser prolongada de dois para 18 meses.

O “pacote” contempla ainda duras medidas contra a criminalidade perpetrada por estrangeiros.

Ora, todos sabem que hoje há uma enorme pressão anti-áfrica pesando sobre a gestão da União Européia! Não há nada de novo. Esses são reflexos exatamente do movimento identitário. Esse movimento, obviamente, tem seu lado bom servindo de fachada para muitos neofacistas, travestidos de democratas e liberais. E foi assim que lhes respondi nestes termos adiante, ainda tentando “falar o português”:

“Soubesses tu, o quanto eu mesmo sou amante das tradições européias! Especialmente francesas e portuguesas! Seria prolixo tanto quanto Camões, em delinear a bravura de lançar-se progressivamente ao desconhecido. Nem imaginas quê passa em meu coração quando a ouvir Amália, Dulce Pontes, Mariza e outras fadistas!

Mas estou aqui a falar de laços mais fortes do que o “neo-nacionalismo”, isso que me parece um nacionalismo novo, pois somente lhe alteraram na base o conceito de “nação”, dando-lhe o fulcro mais cultural e menos político. Meu blog se chama, como se há de notar, “ecologia humana”, e certamente poderia chamá-lo “ecologia identitária”, se isso não implicasse reduzir o alcance filosófico e ético que meu título propõe.


Ao invés de repudiar o Identitarismo, louvo-o, mas com as cautelas de quem observa uma história européia onde, diversas vezes, o ímpeto conservador descambou à barbárie, ao nacionalismo xenófobo e genocida.
Quanto a isso, digo, há mais maneiras de se matar o homem do que lhe sangrar diretamente. Temo a morte por degredo, do preconceito, das privações… Outrossim, sabemos, no campo das teorias econômicas, que há outras formas, menos confortáveis, que o identitarismo, de amenizar a “descaracterização” da Europa; mas é uma pena que os europeus não queiram relaxar mão de seus confortos, suas ostentações, suas agressões diárias ao meio ambiente, sua exploração aos países pobres…

De qualquer modo, agradeço profundamente sua manifestação.

Vê: estamos, de modo ou outro, indo em direções paralelas.

Saudações Buzianas!”

Analisem, então, e tirem vossas conclusões. Sobretudo, não devemos esquecer o seguinte axioma: “a miséria é parasita da riqueza”. Agora que a França retalhou o Benin, que Portugal desterrou os avós de nossos negros favelados, sequestrando-os para o degredo e a morte… Agora querem dar as costas, com a singela justificativa: “temos uma identidade a preservar, e vocês, pobres, famintos e expolorados não têm nada a ver com nossas raízes gloriosas“. ▓

Rô, esse post acompanhará uma das poesias que escrevi pra vc (lembra?) Deixe só eu encontrá-las aqui… Isto porque vc é parte de meu espaço ecológico-humano, é um link, por assim dizer, entre mim e a boa fração do mundo.

A tragédia está no caminho dos pobres. Se a mortalidade infantil decresceu 44% nos últimos dez anos, logo ali, na esquina das idades, a morte espreita essas vidas “bem sucedidas”. Morrerão aos 17, nas drogas, nos volantes e guidãos da liberdade-a-qualquer-preço.

Ouso dizer que a primeira das “mortes” dessa juventude ocorre nos pátios de uma educação desumanizadora, que não visa a formar o Homem, mas, quando muito, fabrica um tecnólogo alienado. É preciso ensinar “a aprender”, isso significa ensinar humildade diante de limites psicológicos, sociais e físicos.

Digamos aos meninos, que sentimentos devem ser cultivados, que a sociedade necessita da ordem e da fraternidade, e que o corpo deve ser preservado, como extensão que é da frágil natureza planetária. Digamos também aos pais, que é mais honroso o caráter que a riqueza; vale viver menos abastadamente, se isso for condição para uma interação melhor entre pais e filhos.

Não está claro a que tipo de “progresso” se referem quando dizem ter “libertado a mulher” do espaço doméstico, ao qual estava restrita. ¿Quem educará nossos filhos, nas fases mais férteis da vida, quando precisamos lhes plantar a humanidade na alma? ¿O sistema educacional está projetado pra substituir a família? ¿Ou acreditaríamos que consumir essa abundância de produtos aletrônicos é o novo papel dos pais na sociedade? A máxima política de educação nunca será maior que aquele chavão dito pela mãe ao administrar uma didática palmada! Pelo que nos consta, professores e professoras não possuem o poder disciplinar, o amor e as demais características intrínsecas às relações familiares.

Nestes termos, saímos da fase das demandas sociais, para as demandas humanas. Isso é sensato ao admitirmos que muitas das lutas sociais do séc. XX perderam o ser humano na greta de suas louváveis manifestações. Consquistamos no trabalho a função de máquinas, e são também máquinas que tentam, nas escolas, disciplinar nossos filhos “órfãos”; e, nas unidades de saúde, somos recebidos por mercenários que lutam uma guerra “alheia”!

Reverter esse ciclo é urgente. A luta por um ambiente social justo e equilibrado, passa pela restituição da família à função de base-social. As mídias precisam amenizar seu pendor ao consumismo é ao status vazio; as crianças devem ser libertas de tanta propaganda massiva e sensualista.

Há riquezas maiores que o dinheiro: ¿quem repetirá esse coro pelo mundo a fora?! HÁ VALORES MAIORES QUE O DINHEIRO! E esses são presupostos da Ecologia Humana.

Aos amigos que pretendem conhecer um pouco da política, inclusive em nível  local, sugiro a subpágina que estou elaborando ali em cima (Visões), ou clique aqui. O link direto, para digitar ou colocar em sua página ou perfil é http://ecologiahumana.wordpress.com/2-visoes/poder-e-competencia-do-vereador/

Espero contribuir para que tenhamos um povo mais lúcido e militante no interesse público, e que a parte “esclarecida” da sociedade deixe de pensar que “política é coisa de desonestos”. No mundo caótico como se encontra, não temos mais o privilégio da neutralidade. A omissão é covardia. Uma hora a violência, a desumanidade e a tragédia podem nos custar caro.

Charge no Jornal do Brasil de 25 de julho de 2008

Charge no Jornal do Brasil de 25 de julho de 2008

A sociedade vem sendo equivocamente dividida entre “vencedores” e “perdedores”. O conceito de vitória segue criando seus quesitos. Bom é quem tem mais carro, dinheiro, casas, celulares, mulheres, fama, prêmios, mídias… “Ruim” é quem “tem que trabalhar”, tem menos dinheiro, menos comida, menos escolaridade… Vamos ver aonde nos leva o poder comandado pelos que têm mais…

O problema, que antes era apenas um “detalhe”, é que agora os perdedores estão armados com pistolas, fuzis e ignorância; agem excitados pelas mesmas mídias que alienam, deseducam e pregam o consumismo como satisfação das “necessidades”, da liberdade.

Enquanto as escolas não “ensinarem a aprender”, e às mídias não se cobrar o engajamento na causa do progreso humano, vamos assim, de um presente caótico a um futuro incerto.

Senhores, HÁ VALORES MAIORES QUE O DINHEIRO! ¿Qual motivo tenho para admirar a  religiosidade desse povo, desses governantes, dessa elite??? O que direi ao meu filho sobre as “coisas do espírito”, se estão matando a alma de nossas crianças?!?!?

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