Estava eu lá, passeando pela Europa portuguesa/hispânica, analisando as novas tendências sociais do velho continente, e deparei-me com um blog (http://pt.novopress.info) de forte conteúdo identitarista – o “identitarismo” é mesmo isso que transcrevo aqui adiante, vindo do moderador (?) daquele blog :
“O movimento identitário na Europa visa, básicamente, o estritar de laços dos Povos com a sua Terra, o objectivo final é a nossa sobrevivência neste mundo globalizado e para nós isso passa pela preservação do nosso legado etno-cultural. Saudações Europeias.”
Concordo. E digo, ainda, que o nosso pensamento sobre cultura e história buzianas comunga desses postulados básicos. O que diferencia meu “identitarismo” do movimento de lá é a questão da perspectiva: eles são “vencedores”, nós somos os “vencidos”! Os nossos pretos estão descendo dos morros, confrontando a society, e os congoleses atravessam vorazmente o Gibraltar. A Justiça é a única resposta capaz de aplacar a violência. Mas, leiam o seguinte trecho de notícia, do dia 24 de julho de 2008, veiculado naquele mesmo site:
Um polémico “pacote” legislativo para combater a imigração clandestina foi hoje aprovado por ampla maioria na câmara alta do parlamento italiano. Esta legislação é criticada pela esquerda, associações católicas e de defesa dos direitos humanos, bem como por algumas instâncias europeias.
A imigração clandestina passa a ser crime punível com uma pena de seis meses a quatro anos de prisão, são agravadas em um terço as penas dos reincidentes, as expulsões ficam mais facilitadas e os proprietários de estabelecimentos que alojem ilegais incorrem em seis meses a três anos de cadeia. A duração da estada dos clandestinos em centros de acolhimento pode ser prolongada de dois para 18 meses.
O “pacote” contempla ainda duras medidas contra a criminalidade perpetrada por estrangeiros.
Ora, todos sabem que hoje há uma enorme pressão anti-áfrica pesando sobre a gestão da União Européia! Não há nada de novo. Esses são reflexos exatamente do movimento identitário. Esse movimento, obviamente, tem seu lado bom servindo de fachada para muitos neofacistas, travestidos de democratas e liberais. E foi assim que lhes respondi nestes termos adiante, ainda tentando “falar o português”:
“Soubesses tu, o quanto eu mesmo sou amante das tradições européias! Especialmente francesas e portuguesas! Seria prolixo tanto quanto Camões, em delinear a bravura de lançar-se progressivamente ao desconhecido. Nem imaginas quê passa em meu coração quando a ouvir Amália, Dulce Pontes, Mariza e outras fadistas!
Mas estou aqui a falar de laços mais fortes do que o “neo-nacionalismo”, isso que me parece um nacionalismo novo, pois somente lhe alteraram na base o conceito de “nação”, dando-lhe o fulcro mais cultural e menos político. Meu blog se chama, como se há de notar, “ecologia humana”, e certamente poderia chamá-lo “ecologia identitária”, se isso não implicasse reduzir o alcance filosófico e ético que meu título propõe.
Ao invés de repudiar o Identitarismo, louvo-o, mas com as cautelas de quem observa uma história européia onde, diversas vezes, o ímpeto conservador descambou à barbárie, ao nacionalismo xenófobo e genocida.
Quanto a isso, digo, há mais maneiras de se matar o homem do que lhe sangrar diretamente. Temo a morte por degredo, do preconceito, das privações… Outrossim, sabemos, no campo das teorias econômicas, que há outras formas, menos confortáveis, que o identitarismo, de amenizar a “descaracterização” da Europa; mas é uma pena que os europeus não queiram relaxar mão de seus confortos, suas ostentações, suas agressões diárias ao meio ambiente, sua exploração aos países pobres…
De qualquer modo, agradeço profundamente sua manifestação.
Vê: estamos, de modo ou outro, indo em direções paralelas.
Saudações Buzianas!”
Analisem, então, e tirem vossas conclusões. Sobretudo, não devemos esquecer o seguinte axioma: “a miséria é parasita da riqueza”. Agora que a França retalhou o Benin, que Portugal desterrou os avós de nossos negros favelados, sequestrando-os para o degredo e a morte… Agora querem dar as costas, com a singela justificativa: “temos uma identidade a preservar, e vocês, pobres, famintos e expolorados não têm nada a ver com nossas raízes gloriosas“. ▓